Le Parkour ou pessoas que saltitam

Le Parkour ou pessoas que saltitam

Sábado. São Paulo. Duas horas da tarde. Enquanto você tranquilamente caminha pela calçada, alguém salta um muro e se arremessa em sua direção, você assustado desvia, a pessoa passa e salta novamente, agora sobre uma caçamba de entulho com uma leve ajuda de uma das mãos.

Você observa, ele segue incessante na direção do viaduto e escala a pilastra de proteção. Você então percebe o que o estranho pretende e tenta correr em sua direção, mas é tarde. Ele pula. Você grita. Corre ao viaduto em desespero, apenas para ver um vulto se deslocar velozmente pelo asfalto. Você sorri ao ver o traceur desaparecer atrás de outro muro.

Apesar da pequena narrativa acima ser uma ficção, não é improvável que você já tenha visto algo do tipo acontecer.  Traceur, ou traceuse, no feminino, são os nomes dados àqueles que praticam Parkour, uma disciplina física que consiste em alcançar o fim de um percurso (parkour, em francês) determinado pelo próprio traceur, independente dos obstáculos que estejam no caminho. Para transpor cada obstáculo, ao invés de simplesmente contorná-lo, usa-se o próprio objeto como se fosse uma extensão do corpo, executando os movimentos da forma mais natural possível. Tentando também não se arrebentar inteiro, obviamente.

O Parkour surgiu na década de 80, na França. Um cara chamado David Belle, se inspirou em seu pai, um dos combatentes na Guerra do Vietnã, que usava algumas das técnicas de deslocamento corporal extremo. David Belle então adaptou essas técnicas e as batizou Le Parkour. No começo ele treinava sozinho, que e com muita dedicação e tempo, foi reunindo pessoas. Mais tarde, ele apareceu em várias reportagens na mídia, então o Parkour passou de desconhecido a uma disciplina praticada no mundo todo.

Uma das características interessantes do Parkour, é que, por mais que tenha toda uma cara de esporte, seus praticantes não o consideram assim. Eles o encaram como uma filosofia de vida, de superação constante de limites. Por esse motivo não existem competições, apenas o traceur competindo com seus próprios limites. Poético, não?

Pode até parecer loucura, mas tem gente que consegue praticar isso e sair inteiro, apesar de uma queda ou outra sempre fazer parte do aprendizado. Desde 2004, em São Paulo, um grupo se juntou para fundar o Le Parkour Brasil, inspirados em vídeos de David Belle que assistiam na internet. Enquanto isso, quase ao mesmo tempo, surgia em Brasília a Associação Brasileira de Parkour, que desde então dedicado a divulgar a prática esportiva cá por essas terras canarinhas.

Recentemente, o diretor Wiland Pinsdorf, em parceria com a Canvas 24p Filmes, realizou o documentário curta-metragem Samparkour, com o traceur Zico Corrêa. A idéia do curta é, através da visão do Parkour, mostrar um retrato urbano dos espaços da cidade. O resultado é muito bacana, com destaque para cena de Zico plantando bananeira no topo do Edifício Copan.

Caso queira saber mais sobre o assunto, como aprender, técnicas, etc., acesse os sites do Le Parkour Brazil e da Associação Brasileira de Parkour, logo abaixo. Ah! E antes de você perguntar, a resposta é: sim, as quedas doem… muito.

Links:

Le Parkour Brazil
Associação Brasileira de Parkour
Samparkour

Postado por Ronzi Zacchi – Velho, careca e beberrão. Mantém um kit de sobrevivência preparado em caso de apocalipse zumbi, invasão alienígena ou queda de meteoros.

Categorizado como Comportamento
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4 Comentários

  1. Éberson

    Eu fasso parkour, esse esporte é facinante, aki onde eu moro nao tem ninguem que encine. Eu e meus colegas assitimos videos na internet de parkour e tantamos imita, na maioria das veses consequimos, outras… nos arrebentamos.

    9 de setembro de 2009 @ 9:49
  2. jonatas

    se precisa treinar o português tbm meu caro !!!!!

    9 de setembro de 2009 @ 18:20
  3. O roto falando do rasgado.

    9 de setembro de 2009 @ 22:51
  4. Gostei!!! E mesmo a primeira parte da narrativa sendo ficticia,d fato,eh um bom texto. Meu nome eh Julia pratico a arte do Le Parkour a 8 anos,tenho um grupo d Parkour,so d meninas,ate agora o Le Parkour eh pouco praticado por meninas(isso nao significa q eh impossivel d ser praticado por mulheres) rs. Mas puxa,publique mais artigos,sobre Parkour,amigo. E quem estiver interessado(a) em me procurar,vai me encontrar em juliaavedano@yahoo.com Um recado para todos os(as) praticantes nunca desistam a desistencia é o caminho da derrota,se pensarem em desistir pensem David Belle,Sebastian Foucan entre outros praticantes “famosos” nao estariam onde estao hoje se tivessem desistido no primeiro no segundo ou no terceiro tombo,lembrem-se temos q cair para percebermos q temos q melhorar e seguir em frente.

    11 de junho de 2011 @ 4:17

Um Trackback

  1. [...] a pessoa passa e salta novamente, agora sobre uma caçamba de entulho … fique por dentro clique aqui. Fonte: [...]

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